
Gigante pela própria natureza. Uma das poucas vezes que vi esta frase fazer sentido no futebol foi ontem, na partida entre Inter e São Paulo, que garantiu ao time gaúcho a vaga para a final da Libertadores com carimbo do passaporte para disputar o Mundial. Mas o gigante, neste caso, não foi o campeão, foi o vencedor da partida: o tricolor paulista. Há algum tempo não via o São Paulo jogar de forma tão gigante, só não digo brilhante porque não conseguiram marcar os dois gols a mais no placar que precisavam para avançar na competição. Como o Inter havia vencido o primeiro jogo por 1 x 0, o São Paulo precisaria vencer o segundo, no Morumbi, por dois gols de diferença.
Eu preciso abrir um, dois, três, ou mais parágrafos para falar do capitão Rogério Ceni. As reações do goleiro do São Paulo durante e depois da partida dão o tom da dor que foi para o São Paulo não avançar na Libertadores. O time, pelo quinto ano seguido, viu o sonho de ser tetra na Libertadores ruir, e pela segunda vez diante dos colorados. Não é drama não. Para quem não sabe a Libertadores é a “menina dos olhos” do tricolor paulista. O time diz e grita alto que o campeonato que mais interessa é mesmo a Libertadores. Basta ver o histórico do SP no campeonato brasileiro dos últimos anos. Parece que o time só entra na competição depois que acaba a Libertadores.
Pois é, por isso que é perfeitamente compreensível a tristeza que abateu Rogério Ceni com o término da partida. Ele pisou no gramado do Morumbi já eufórico, com sede de jogo e de vitória. Antes, havia convocado a torcida para a decisão e foi correspondido: casa lotada. Mesmo aos 37 anos e uma trajetória vitoriosa – um jogador que não precisa de “quase mais nada” - o camisa 1 parecia um menino atrás da primeira conquista. E assim foi durante os 90 minutos. Com boas defesas, pouco poderia fazer no gol de Alecsandro. Tão a fim de jogo, foi para a área adversária nos minutos finais, deixando seu gol livre, era tudo ou nada. O nada eles já tinham, a busca era mesmo pelo tudo, e tudo valia a pena. Ajoelhou e olhou para o céu após uma chance perdida: era mesmo o fim? Não para Ceni. Partiu para a área no último lance e acabou prejudicando seu time ao cometer falta no outro goleiro antes mesmo de o escanteio ser cobrado, o lance que poderia salvar a pátria tricolor. Mas aquele era Ceni, a estrela do jogo, com fome de jogo. Por ele, daria mais 1 minuto de acréscimo.
Resultado? O apito final do juiz fez escorrer lágrimas no rosto de Ceni e de tantos torcedores aflitos pelo Brasil inteiro. O destino? O túnel de acesso aos vestiários cheio de tristeza por querer seguir outro caminho: o do Mundial. Sem dúvida, a imagem que marcou essa semifinal com cara de final foi a do capitão paulista, personagem principal de mais uma Copa Libertadores no currículo do São Paulo, a sétima consecutiva com ele no gol, titular absoluto.
Parabéns Inter pelas duas vagas, e boa sorte, mas, principalmente, parabéns ao São Paulo por “cair de pé”, num jogo belíssimo, como disse o jornalista Thiago Leifert,.
Abs
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